Como realmente é, ser mãe...

29 abril

Como realmente é, ser mãe...


Eu tinha 21 anos, fiz o teste de gravidez no banheiro de casa e descobri que estava grávida.
Eu não me senti apavorada, em nenhum momento pensei se meu namorado aceitaria ou não, eu não estava nem um pouco preocupada com isso, minha preocupação era a mãe que eu seria, como ia ser dali por diante.
Incrível como alguns momentos da vida a gente olha e sabe  quanto são cruciais, eu não esperava ter um bebê, pelo menos ainda não, tomamos todas as precauções e por um descuido, que eu sinceramente sequer lembro qual foi, ali estava eu no banheiro me descobrindo grávida.
A notícia me deixou atordoada, eu não contei pra ninguém, nem para o Chris, eu queria me adaptar primeiro, e então eu poderia dizer as palavras em voz alta.
Quando eu decidi que era a hora já havia se passado mais de uma semana.
Ele aceitou bem, ficou feliz e disse que iria me apoiar, quanto a casar ou coisa assim decidimos que talvez fôssemos morar juntos antes do bebê nascer porque ele queria estar perto e me ajudar em tudo. Não posso reclamar dele, era um homem incrível, já com seus 26 anos, nunca foi um galinha baladeiro, sempre me tratou bem e acho que era justamente por isso estávamos juntos há 3 anos quando eu engravidei.
Com 4 meses e meio de gestação estávamos com o apartamento pronto e sabíamos que teríamos uma menina. Achei que ele ia ficar decepcionado, mas ele gostou da ideia de ser pai de uma princesinha.
Durante toda a gestação nós nos aproximamos muito um do outro, aprendemos mais sobre nós e consolidamos uma união saudável.
Uma noite aos 7 meses de gravidez eu percebi o quanto a minha filha havia transformado a minha vida, ela nem tinha nascido ainda e já tinha revirado tudo, por dentro e por fora.
O parto foi tranquilo, foi natural e eu pude sentir minha Felipa vindo ao mundo pouco a pouco, o nome escolhemos juntos, achamos ele lindo e, desde que escolhemos, sempre nos referimos a ela como a nossa Felipa. 
Vê-la foi uma das coisas mais lindas que eu me recordo de ter vivido, os cabelos castanhos, o rostinho inchado e o choro sentido de estar num mundo novo e desconfortável.
Depois daquele dia tudo é novidade, cada coisinha me faz sentir que eu não sei nada sobre ser mãe, eu não sabia que era tão difícil trocar fraldas, nem que o nascimento dos dentinhos iriam fazer meu coração se partir tanto, ouvindo aquele chorinho dolorido das gengivas se rasgando.
Com a minha filha eu aprendi que estar errada é uma constante, perdi a conta, de quantas pessoas palpitaram e disseram todas as coisas que eu deveria ou não fazer. Eu me apavorava com facilidade porque eu achava realmente que estava errada, eu queria ser uma boa mãe, mas a minha bebê não parava de chorar, me tirava o sono, me fazia sentir exausta e eu me sentia feliz e desolada, como se o parto tivesse simplesmente me quebrado ao meio.
Perdi a conta de quantas vezes me senti tão esgotada, queria poder voltar no tempo e não ter engravidado, em seguida me sentindo a pessoa mais horrível do mundo por pensar algo assim, porque eu a amava, mas ela era algo que tinha me mudado tanto...
Eu não estava pronta, não acho isso um problema, na verdade eu acho que nenhuma mulher nunca está pronta para ser mãe, ninguém te prepara para o que é a maternidade, a gente passa a vida acreditando que ser mãe é uma coisa natural, que é a essência feminina, que sempre saberemos o que fazer, mas não é assim, não é tão simples e muito menos um dom, é um exercício diário, é chorar e se sentir péssima, é tomar um banho de 10 minutos e sentir que conquistou o mundo, é ter uma noite inteira de sono e assim que abrir os olhos sentir pavor de "e por que ela não chorou ainda?" correr pro berço para ver se está tudo bem. A maternidade é um abandono, é você se esquecer de quem é, é perder os seus sonhos e multiplicar os medos, é maravilhoso o amor que eu sinto por ela e a gratidão que ela, mesmo sem sequer compreender, me dá todos os dias com seus olhinhos brilhantes.
Eu amo a minha filha, não me arrependo de verdade de ter tido ela, mas tenho um pavor enorme de errar uma vírgula.
Esse medo não é ensinado, minha mãe teve 3 filhos e nunca me disse como era difícil, as pessoas exaltam apenas o lado bom e isso não te prepara pra realidade. Sinceramente, eu me parti ao ter a Felipa, algo em mim se quebrou, não acho isso ruim, mas foi difícil compreender no começo.
Hoje a minha filha está com 6 anos, é uma menina linda, cheia de vida, me tira do sério e faz eu querer esganá-la pelo menos uma vez por dia.
Em todo caso, eu a amo e com o tempo eu aprendi a amar o meu eu mãe, hoje grande parte do medo se foi, eu tenho mais confiança em decidir as coisas e não ligo tanto para a opinião dos outros. Meu marido é um ótimo pai e acho que isso também em ajudou muito, ele esteve do meu lado nos momentos realmente desesperadores dessa jornada e muitas vezes repetiu que eu estava me saindo bem e que acreditava que eu poderia ser mãe, isso me ajudou muito e eu sempre serei grata por isso.
Essa semana uma amiga me perguntou, se não queremos outro filho eu ponderei essa ideia por alguns dias, mas por fim achei que não, é melhor assim como está, não faço questão de ter um outro bebê, eu já fui mãe, já experimentei esse lado meu, mas não vejo necessidade de viver tudo de novo.
Eu só quero dizer uma coisa pra você, mulher que está lendo isso, você não está louca, esse turbilhão é normal, o  medo que está ameaçando te devorar é normal, eu senti ele também. Não deixe que o mundo te faça sentir assim tão mal, você ama o seu bebê, sabe disso, o fato de estar cansada não muda nada, você ainda o ama e daria a vida por ele se fosse preciso, então desencana mulher, vai passar ok? Prometo!

Seja feliz e abrace todo o amor e o dessabor que é ser mãe...

Fonte da Imagem







Blog     Instagram    Facebook     Twitter

Você pode Gostar Também

4 comentários

  1. Ainda não sou mãe, mas estou chegando em uma certa idade que essa vontade começa a se manifestar (mas não sou casada e sequer tenho namorado, o que complica um pouco as coisas, não é mesmo? HAHAHA), e penso muito nessa questão que você trouxe no texto. A sociedade coloca apenas o lado positivo de ser mãe, e esquece de mostrar as dificuldades, as noites mal dormidas, os possíveis fracassos, enfim, a maternidade vai muito além do que é mostrado por aí, é algo muito mais complexo.

    http://lenabattisti.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente por isso o texto, apesar de não ser mãe também e não ter a mínima vontade de ter filhos um dia eu percebo que a maternidade é muito romantizada

      Excluir
  2. Olá! Ainda não sou mãe e nem sei se quero ser, mas achei muito bonito o seu relato. Você narrou todas as fases e isso deixou o texto muito bacana. Acho que a gente tem visto mais textos mostrando a maternidade real, e não a idealizada. E isso é muito bom!
    Beijos!

    www.brincandodeolivia.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, é importante uns textos mais impactantes assim para tirar aquela visão de que maternidade é só fofura e flores. Também não sou mãe e não nem quero ter filhos.

      Excluir

Agradeço sua visita! Já que parou alguns minutos para ler esta postagem, deixe um comentário para que eu saiba o que você achou.

Por favor, não faça spam nem comentários agressivos e grosseiros, este lugar foi criado com o intuito de trazer coisas boas para o mundo, se não gostou do conteúdo não ofenda.